简体中文
繁體中文
English
Pусский
日本語
ภาษาไทย
Tiếng Việt
Bahasa Indonesia
Español
हिन्दी
Filippiiniläinen
Français
Deutsch
Português
Türkçe
한국어
العربية
اردو
Institucionais ganham espaço no curto prazo e mudam dinâmica do varejo
Resumo:Especialistas explicam como o fluxo profissional pode afastar os preços dos fundamentos, contestam o mito da “caça ao stop” e avaliam que a Bolsa brasileira está barata
Investidores institucionais vêm ampliando sua atuação em estratégias de curto prazo e alterando a formação dos preços na Bolsa, segundo avaliação de André Moraes, Stormere Bragadurante palestra na Expert XP 2026.
O debate também abordou liquidez, fluxo estrangeiro, valuation e os desafios emocionais enfrentados pelo investidor.
A influência dos grandes participantes, segundo os debatedores, não está restrita ao longo prazo nem às operações de alta frequência.
O crescimento de estratégias quantitativas e de estruturas institucionais com limites rígidos de risco levou gestores profissionais a operar em horizontes cada vez menores.
“O institucional faz preço em todos os períodos, de forma muito forte. A diferença é que, no longo prazo, só o institucional faz preço”, afirmou Braga.
Institucionais encurtam o horizonte
Com 26 anos de atuação no mercado, Braga disse nunca ter visto um ambiente tão institucional e concentrado no curto prazo. Além da evolução tecnológica e da presença dos fundos quantitativos, ele destacou o crescimento das chamadas pod shops.
Essas estruturas oferecem capital e infraestrutura aos gestores, mas estabelecem limites restritos para perdas.
De acordo com Braga, uma queda de 3% pode provocar uma primeira redução de risco, enquanto uma perda de 5% pode levar à demissão do profissional.
A pressão faz com que gestores acostumados a trabalhar com teses mais longas reduzam o horizonte das posições. “Você automaticamente reduz o seu prazo de investimento, vira mais trader e passa a fazer mais preço no curto prazo”, explicou Braga.
Esse movimento também alcança operações de poucos dias. Stormer comparou o day trade a um “oceano vermelho”, marcado pela presença de traders profissionais, robôs, fundos quantitativos e estratégias de alta frequência.
O swing trade, por sua vez, ainda funciona como uma espécie de “oceano azul”, com menor concorrência profissional.
A entrada das pod shops nesse intervalo começa a alterar essa dinâmica e torna as operações mais desafiadoras para o varejo, observou Stormer.
O ponto, porém, apareceu como uma das consequências de um mercado cada vez mais institucional — e não como o único impacto desse avanço.
Leia mais: De day trade a swing trade: operação de Ivy Hypolito alcançou 10 mil pontos no Índice
O institucional sabe onde está o stop do varejo?
Apesar de reconhecer a influência dos grandes investidores sobre os movimentos de curto prazo, Stormer contestou a ideia de que eles perseguem individualmente os stops dos pequenos operadores.
Quando uma instituição precisa montar ou desmontar uma posição relevante, necessita encontrar liquidez.
Determinados níveis gráficos podem concentrar ordens suficientes para absorver uma compra ou venda de grande porte, o que pode contribuir para falsos rompimentos em regiões importantes.
Essa atuação, entretanto, ocorre em pontos específicos, e não durante todo o pregão.
Para Stormer, o investidor que negocia cinco ou dez contratos e acredita que uma grande instituição conhece exatamente a localização de seu stop superestima a relevância individual da própria ordem.
“No curto prazo, existe mais esse sonho de achar que alguém está atrás do meu stop do que realidade”, afirmou Stormer.
A influência institucional está, portanto, relacionada à necessidade de liquidez e ao tamanho das posições — e não a uma perseguição direcionada a cada operador de varejo.
Leia também:Só 5% dos traders que atendo sabem operar, diz psicanalista
Quando o fluxo supera os fundamentos
A força do fluxo também pode manter o preço de uma ação distante de seus fundamentos por meses, segundo Braga.
O gestor citou a Smart Fit como exemplo.
Naquele momento, ele considerava a companhia sua ação preferida, projetava crescimento de aproximadamente 30% ao ano nos três anos seguintes e apontava que o papel negociava próximo de nove vezes o lucro.
Mesmo assim, a ação permanecia pressionada.
Braga atribuiu o movimento principalmente à atuação de grandes vendedores.
Um fundo de private equity precisou reduzir sua participação, enquanto investidores locais que absorveram parte das ações enfrentavam resgates. Posteriormente, outro investidor estrangeiro também decidiu vender sua posição.
A sequência de vendas ajuda a explicar por que o preço continuou em queda mesmo sem uma mudança proporcional nos fundamentos da companhia, avaliou o gestor.
Outro caso citado foi o do Banco Inter.
Após um resultado que considerou cerca de 3% abaixo do esperado, Braga revisou suas projeções e estimou que uma desvalorização próxima de 5% seria compatível com a piora. A ação, porém, chegou a recuar aproximadamente 40%.
A intensidade do movimento teria sido provocada pelo stop de um investidor alavancado, obrigado a desmontar uma posição relevante.
“Às vezes, a coisa fica irracional por causa de um fluxo de curto prazo e permanece assim por meses”, afirmou Braga.
Para o varejo, a mensagem é que uma ação pode continuar caindo mesmo quando parece barata ou quando o resultado não justifica, isoladamente, a intensidade da desvalorização.
Os fundamentos podem prevalecer no longo prazo, mas o fluxo determina o caminho percorrido até lá.
“A Bolsa está ridiculamente barata”
Apesar da baixa liquidez e da cautela dos investidores, Braga demonstrou otimismo com a Bolsa brasileira.
“A Bolsa está ridiculamente barata”, afirmou o gestor.
Entre as 20 ações de sua carteira, pelo menos cinco negociavam próximas de cinco vezes o lucro, segundo Braga. Ele disse nunca ter encontrado uma situação semelhante ao longo de seus 26 anos de mercado.
O desconto aparece em um período marcado por juros elevados, preocupações fiscais, incertezas políticas e baixa exposição dos investidores locais.
Para Braga, no entanto, as maiores oportunidades costumam surgir justamente depois dos momentos de maior desconforto.
“O melhor trade que vocês vão dar na vida, a maior porrada em algum investimento, vai acontecer exatamente depois da maior dor que vocês tiverem. É sempre assim”, afirmou Braga.
“É no auge da dor que o mercado faz fundo. É no auge da felicidade e da euforia que o mercado faz topo”, acrescentou Stormer.
Os participantes ponderaram, contudo, que não é possível determinar quando uma eventual recuperação começará.
O mercado pode permanecer pressionado por mais tempo do que o investidor espera, mesmo quando os preços parecem atrativos.
Pouco fluxo, grande impacto
A possibilidade de uma rotação global de recursos foi outro argumento apresentado em favor da Bolsa.
Braga afirmou que os investidores internacionais ficaram excessivamente concentrados nos Estados Unidos após anos direcionando volumes crescentes de capital para aquele mercado.
A volatilidade associada às decisões de Donald Trump poderia estimular uma maior diversificação.
Na avaliação apresentada durante a palestra, China, Europa e Índia enfrentam limitações próprias, o que abre espaço para uma parcela dos recursos chegar à América Latina e, especialmente, ao Brasil.
Para dimensionar o impacto desse movimento, os participantes compararam o mercado norte-americano a uma piscina olímpica e a Bolsa brasileira a uma pequena piscina de plástico.
A retirada de alguns baldes praticamente não altera o nível de uma piscina olímpica. Quando a mesma quantidade de água é colocada em uma piscina pequena, porém, o efeito é muito maior.
Assim, um fluxo pouco relevante para o mercado dos Estados Unidos pode provocar uma movimentação expressiva nos ativos brasileiros.
Esse efeito tende a ser ampliado porque a “piscina” brasileira está diminuindo, destacaram os participantes.
Empresas estão deixando a Bolsa por meio de fusões e fechamentos de capital, enquanto programas de recompra reduzem a quantidade de ações em circulação. Pessoas físicas, fundos de pensão e gestores locais também permanecem pouco posicionados.
Uma eventual entrada de capital estrangeiro, portanto, encontraria uma oferta limitada de ações.
Moraes acrescentou que não é o Brasil que é pequeno, mas o mercado financeiro nacional diante do tamanho do país.
A criação do hábito de investir mensalmente, mesmo com valores menores, poderia fortalecer o mercado interno e diminuir parte da dependência dos recursos estrangeiros, avaliou.
Psicologia pesa mais do que a técnica
A parte final da palestra foi dedicada aos aspectos emocionais das decisões financeiras. Para Braga, o conhecimento técnico representa apenas uma parcela do trabalho do investidor.
“O que a gente faz da vida tem muito mais a ver com psicologia do que com a parte técnica. A parte técnica é muito fácil”, afirmou Braga.
“Difícil é comprar quando ninguém quer, vender quando todo mundo quer, segurar quando está perdendo, ter convicção e saber stopar quando está errado”, acrescentou.
O gestor contou que revisa diariamente sua carteira como se tivesse recebido todo o dinheiro naquele momento e precisasse montá-la novamente do zero.
O exercício busca reduzir o viés do status quo, que leva o investidor a manter uma posição apenas porque já está nela.
Braga também destacou a necessidade de ouvir opiniões contrárias e contar com pessoas dispostas a questionar suas teses. O objetivo é impedir que a convicção se transforme em resistência diante de novas informações.
“Eu sou pago para mudar de opinião”, resumiu o gestor.
Para Stormer, a disciplina exigida pelo mercado também produz reflexos na vida pessoal. Criar uma rotina, seguir um método e aceitar os próprios erros são habilidades importantes tanto para o trader quanto fora das operações.
“Toda vez que um negócio é fechado, duas pessoas concordam com o preço de um ativo, mas discordam da direção — e as duas acham que são inteligentes”, concluiu Stormer.
Para o investidor de varejo, compreender quem está do outro lado, quais forças movimentam os preços e quais vieses interferem na própria decisão pode ser tão importante quanto dominar qualquer técnica operacional.
Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice.
Isenção de responsabilidade:
Os pontos de vista expressos neste artigo representam a opinião pessoal do autor e não constituem conselhos de investimento da plataforma. A plataforma não garante a veracidade, completude ou actualidade da informação contida neste artigo e não é responsável por quaisquer perdas resultantes da utilização ou confiança na informação contida neste artigo.










