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Perto do esgotamento, Santos vê quintuplicar custo para contêineres
Resumo:Tempo de espera para atracação de navios aumentou quatro vezes desde 2019 e operadores defendem ampliação de capacidade no maior porto do país
Tempo de espera para atracação de navios aumentou quatro vezes desde 2019 e operadores defendem ampliação de capacidade no maior porto do país
Amovimentação de contêineres no Porto de Santos (SP) opera cada vez mais perto do limitee tem acendido um alerta entre especialistas, que apontam umaumento dos custos logísticosno maior complexo portuário da América Latina.
Dados apresentados à CNNpelo consultor Luis Cláudio Montenegro, da Neowise Consultoria, mostram que o aumento da fila de navios praticamente quintuplicou o valor médio do THC(taxa cobrada pela movimentação de contêineres nos terminais).
Segundo levantamento da consultoria,entre 2019 e 2026, esse valor passou de US$ 70 a US$ 100 por TEU (contêiner-padrão de 20 pés) para cerca de US$ 500.
Enquanto isso, o leilão do Tecon Santos 10 continua à espera de uma definição final.O governo já adiou o certame pelo menos oito vezes.
O novo megaterminal de contêineres deve atrair quase R$ 6 bilhões em investimentos e ampliar em 50% a capacidade de movimentação desse tipo de cargas no porto.
Montenegro ressalta que osvalores apontados são estimativas, já que os contratos firmados entre armadores (empresas de navegação) e terminais têm caráter considerado estratégico e não há divulgação pública.
De acordo com o consultor,o comportamento dos preços acompanha diretamente a capacidade instalada do porto.
Em 2011, o THC girava em torno de US$ 300, mas caiu nos anos seguintes com a entrada em operação da BTP e da DP World no Porto de Santos, em 2013.
Os dois terminais ampliaram a capacidade do complexo. “Esses terminais entraram e o valor despencou. Era US$ 300 em 2011, caiu para US$ 160 em 2015, foi para US$ 90 em 2017 e chegou a US$ 70 em 2019”, afirmou.
Na avaliação de Montenegro, que presta serviços para a gigante suíça MSC, a partir de 2019 os terminais voltaram a operar próximos do limite,impulsionados principalmente pelo crescimento da demanda e do comércio eletrônico.
Atualmente, segundo ele, os três terminais de contêineres no complexo portuário- Santos Brasil, BTP e DP World - estão congestionados.
Por outro lado,os terminais portuários argumentam que os problemas logísticos que encarecem serviços portuários,como o THC, se explicam principalmente por gargalos na infraestrutura terrestre de acesso aos portos.
Temos gargalos, mas também temos oportunidade de encarar de frente e fazer os investimentos necessários. Os gargalos são menos dentro do porto e mais na infraestrutura, sobretudo de acesso terrestre, diz o diretor-presidente da ABTP (Associação Brasileira dos Terminais Portuários), Jesualdo Silva.
Embora admita que existem portos à beira da saturação operacional, ele afirma que existem outros terminais portuários ociosos.Para ele, há uma oportunidade para que o governo avance em políticas públicas de diversificação de modais de transporte,como o maior uso de hidrovias.
“Nós temos algumas concentrações nesses portos que são mais procurados, como Santos, Paranaguá e outros portos do Sul. Mas, ao mesmo tempo que temos esse gargalo, há vários terminais sendo construídos [com o objetivo de resolver esses problemas].”
- Aumento da fila de navios
- Perda de competitividade
O levantamento também mostra que o tempo médio de espera para atracação no Porto de Santos saltou de oito a nove horas, em 2019, para cerca de 35 horas em 2024,justamente pela saturação no porto.
Em nota,a APS (Autoridade Portuária de Santos) confirmou à CNN os valores apresentados pela consultoria e a alta no tempo de espera de atracação dos navios.
Porém, a gestora do porto ressaltou que “de 2019 para 2025 houve um aumento de 42% na movimentação de contêineres no Porto de Santos,o que de fato pressiona a infraestrutura instalada”.
Nos últimos anos, a movimentação de contêineres no Brasil têm batido recordes com crescimentos acima da média mundial. Além disso, esse tipo de carga mudou de perfil recentemente.
Segundo estudo da Antaq (Agência Nacional de Transportes Terrestres), os armadores que operam no Brasil têm omitido escalas- a prática acontece quando um navio cancela uma parada programada em um porto específico e segue para o próximo.
O levantamento também aponta que os armadores atrasam entregas de cargas e falham na divulgação sobre as disponibilidades de janelas- intervalo de tempo agendado para que um navio atraque no terminal, realize a operação de carga ou descarga e desocupe o berço.
A justificativa utilizada para essas omissões é que os terminais portuários voltados para a movimentação de contêineres estão operando além do limite,o que gera problemas para a operação dos navios.
O consultor alerta que,caso o cenário persista, o Brasil poderá perder competitividade nas rotas marítimas internacionais.Segundo ele, armadores podem deixar de escalar navios de maior porte nos portos brasileiros.
Se continuar nesse ritmo, o Brasil não vai mais receber grandes navios. E navios menores têm um frete mais alto, disse Montenegro.
Nos últimos anos o setor aposta na implantação do Tecon Santos 10 como uma das principais alternativas para reduzir o congestionamento no porto.
No entanto, a APS afirmou que, além desse terminal, trabalha em outras opções logísticas para atrair armadores e evitar o congestionamento,como o aprofundamento do canal de acessoaquaviário para 16 metros e a otimização dos pátios de armazenagem.
A autoridade portuária informou ainda que destinou três áreas para instalação de condomínios logísticos, o que, de acordo com a APS, pode melhorar a eficiênciaentre a retroárea e os terminais portuários.
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